Estratégia 3.0 – É hora de mudar!

internet-20251Eu tenho argumentado para meus colegas administradores e para todo empresário e gestor de empresas – startups ou não – que o mundo mudou. Essa mudança ocorreu em três pilares que estão intrinsecamente conectados:

  1. A aceleração do processo de desenvolvimento tecnológico em todas as áreas do conhecimento humano. Essa aceleração apresenta novas possibilidades e altera o que antes era estabelecido como base para as práticas e soluções atuais. Um exemplo disso é a motivação nas organizações e como nós seres humanos lidamos com a felicidade e o sucesso. Descobertas da neurociência e áreas afins dizem que todo o nosso sistema de recompensa pelo trabalho está embasado mais em folclore (histórias repetidas sem validação) do que em ciência;
  2. A alteração fundamental da lógica de que o trabalho de anos dedicado a uma organização é o caminho para o sucesso – inclusive fazendo as gerações anteriores se questionarem sobre sua relação com o trabalho. Vejo isso nos workshops e eventos de empreendedorismo que participo, em especial o Business Model Você. Hoje queremos alcançar a felicidade e realização através de ideias e projetos pelos quais trabalhamos para fazer dar certo, desenvolvendo nossas competências e habilidades. Não esperamos mais que uma organização venha nos oferecer ao final de uma carreira uma boa aposentadoria quando finalmente poderemos ser felizes; e
  3. A chegada de uma nova geração ao mundo do trabalho, muito mais que ao mercado de trabalho. A nova geração aplica de forma muito pragmática sua capacidade de usar as tecnologias disponíveis para resolver seus problemas e se conectar com as pessoas que importam para eles. São inconformados com a situação atual, aceitam desafios e desafiam autoridades para realizar um objetivo maior do que si mesmos. O documentário Startup Kids apresenta alguns exemplos de jovens milionários com menos de 30 anos e nesse link você confere um jovem que resolveu limpar os mares do mundo.

Enquanto poderíamos entrar num debate de interesse mais acadêmico do que prático sobre causa e consequência entre esses três pilares ou sobre o início dessa mudança, prefiro admitir que o mundo de hoje é fundamentalmente diferente do que aquele em que nasci 31 anos atrás. Para as organizações isso implica em mudanças na forma de gerir suas empresas que vão desde a gestão de pessoas até a formulação estratégica. E é sobre esse último ponto que quero tratar.

A estratégia está ligada diretamente à leitura de fatores internos e externos às organizações. A partir daí podemos entender estratégia (stratégie em Francês, Strategie em Alemão…) como um posicionamento a ser conquistado ou mantido no mercado, e as ações que comunicam essa posição que queremos ocupar na mente dos clientes, usuários e/ou consumidores. O conceito depende um pouco da fonte que usamos mas a verdade é que a referência que a maioria de nós praticantes da gestão empresarial tem na área de estratégia ainda é Michael Porter, Henry Mintzberg e Philip Kotler. Nada contra esses nomes, e acredito que suas contribuições e conceitos ainda são de grande valia para o pensamento da estratégia. Diferencial competitivo e posicionamento são conceitos ainda relevantes. No entanto, as ferramentas utilizadas para aplicar esses conceitos são tão ou mais velhas do que eu – e, portanto, concebidas para um mundo diferente do que vivemos hoje.

Acredito que precisamos atualizar o processo de construção da estratégia. Parafraseando Daniel Pink e sua Motivação 3.0 para o entendimento do que realmente move as pessoas no século XXI,  minha proposta é a atualização para a Estratégia 3.0. O mundo dos negócios de hoje apresenta tantos movimentos simultâneos quanto podemos  imaginar:

  • Startups surgem do nada para fazer frente às grandes corporações de marca estabelecida, provocando uma ruptura em mercados tradicionais (Ex: Dropbox, Netflix, Facebook, Chipotle, e tantos outros);
  • Grandes corporações investem em mercados aparentemente distantes do seu negócio principal (core business) e se tornam novos e fortes concorrentes (Ex: Google Fiber, Apple TV, Amazon WebServices, etc);
  • Novas tecnologias e modelos de negócios que rompem o padrão para atender novos mercados inexplorados (Ex: Nintendo Wii, Nespresso);
  • Impactos na economia causados por flutuação cambial, investimentos governamentais, mercados internacionais, flutuação do preço de commodities, dentre outras;
  • Diferentes influências causadas pela conectividade mundial provocando mudanças no comportamento, preferências e necessidades dos clientes;
  • Movimentos sociais dos mais variados clamando por mudanças como comércio justo, fim da corrupção, mais liberdade e igualdade nos direitos civis de minorias sociais e, em algumas partes do mundo, até por democracia e o fim de regimes totalitários;
  • Regulações e incentivos de governos e entidades internacionais discutidas, aprovadas e revogadas.

Agora me diga: uma pessoa sozinha é capaz de conhecer e acompanhar todos esses movimentos sem perder a sanidade mental ou suas relações sociais? Eu, honestamente, ainda não encontrei e duvido que seja possível por muito tempo. Se colocarmos nessa conta a necessidade de discernir o relevante diante da quantidade de informações disponíveis diariamente sobre tudo isso eu começo a me preocupar com o limite entre trabalho e paranóia. E ainda assim, vejo que as oportunidades e ameaças mais relevantes estão escondidas nas entrelinhas desses movimentos. Que ótimo, não? Não por acaso o Google tem uma legião de engenheiros das mais diversas especialidades espalhados pelo mundo estudando, experimentando e prototipando o que parece ser uma lista infindável de softwares, gadgets, plugins, e sabe-se lá o que mais se esconde sob a marca.

Mas e quem não é o Google? O que se pode fazer com a limitação de pessoas, dinheiro e expertise? A proposta para resolver esse paradoxo é incorporar elementos dinâmicos, que explorem a complexidade desses temas em profundidade, e que permitam, ao mesmo tempo, a simplificação do contexto em que a empresa ou organização está inserida. Para tanto, vamos precisar da ajuda do design thinking, suas ferramentas e o pensamento visual para construir uma nova forma de construir e praticar estratégia.


OBS: Esse post é a primeira parte da série Estratégia 3.0. As próximas partes terão os links inseridos aqui após a publicação, que estão previstas para:

Estratégia 3.0 (Parte 2) – Estratégia no Século XXI

Estratégia 3.0 (Parte 3) – Detalhando o Canvas do Ambiente Externo – Previsão 10/04/2015

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3 Respostas to “Estratégia 3.0 – É hora de mudar!”

  1. Estratégia 3.0 (Parte 2) – Estratégia no Século XXI | STARTIFY Says:

    […] organização. E todos esses sistemas se influenciam mutuamente, impactando o seu dia-a-dia. Ora, se o objetivo é conseguir monitorar e atuar pro-ativamente nesse contexto, talvez valha a pena incorporar alguns dos elementos desses novos conceitos para conseguir lidar […]


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