Montanhas não vão até Maomé

everestExistem pelo menos duas formas de liderar: usando do poder do cargo, ou conquistando a autoridade da liderança. Afirmo isso com convicção porque está escrito para todo lado e isso não é novidade pra ninguém; e porque já vi em diversos estados e países os dois tipos de líderes. A diferença entre eles se resume nas performances das equipes de cada um. Por onde passei, os resultados dos líderes que se dedicavam às suas equipes eram mais sustentáveis e essas eram mais receptivas a mudanças.

Isso acontece porque usar o poder do cargo é a forma mais fácil para o líder. Atitudes que podem parecer empowerment ou gestão por resultados, muitas vezes escondem um olhar limitado ao próprio ponto de vista do líder. Mas quando o chefe não se dedica a ver, cheirar e entender a situação onde ela acontece, a mensagem verdadeira é: faça o que for preciso e não se preocupe que ninguém vai ver. E essa mensagem contamina a equipe. Nesse ambiente florescem condições inseguras, descumprimento de regras e valores das organizações, e a cultura da melhoria contínua, se algum dia existiu, desaparece.

Ser líder exige acompanhar seus liderados. Vá com espírito de observação, escute e coloque-se no lugar deles. Aprenda. Você vai perceber o esforço físico e a paciência necessários para algumas atividades, vai compreender as dificuldades e os desperdícios. Acredite, sua equipe é mais afetada que você por essas situações.

Para os liderados, receber “empowerment” para resolver problemas só é bom quando há também designação de autoridade. Em qualquer equipe, cobrança por resultado sem poder de ação é espaço certo para frustração. Promova condições para que os problemas possam ser relatados e dê retorno sobre os que chegarem até você. Ajude a resolver problemas e a padronizar soluções. Só exija desempenho depois de enteder o desafio e dar condições para as pessoas possam entregar aquilo que a organização precisa. A capacidade de “mover” pessoas, essencial para um líder, depende da sua compreensão do que elas pensam em cada situação.

Daniel H. Pink escreve em seu livro To Sell is Human (Vender é Humano, tradução livre):

“Quando nos confrontamos com uma situação complexa ou fora do usual que envolve outras pessoas, como fazemos sentido do que está acontecendo? Será que examinamos apenas a partir do nosso próprio ponto de vista? Ou será que temos a capacidade de sair da nossa própria experiência e imaginar emoções, percepções e motivações do outro?”.

Desenvolver essa capacidade de enxergar e compreender o outro exige comprometimento de tempo e esforço. Requer quebrar um paradigma e começar a pensar no simples, em vez do simplista. Um líder deve servir a equipe e trabalhar para eliminar problemas que atrapalham o bom desempenho dos seus liderados. O processo é longo e requer paciência e disciplina. Mas só assim pode-se reverter um ciclo vicioso de incêndios e marretadas e alcançar um resultado sustentável de produção, mas também em segurança, motivação e comprometimento das pessoas.

A escolha agora é sua, líder. Ficar dando ordens e rezar para que a montanha venha até Maomé, ou levantar-se, entender e agir diferente. Afinal, para mover a montanha, é preciso por a mão nela.

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Uma resposta to “Montanhas não vão até Maomé”

  1. Viva Setembro! | innovation tool Says:

    […] caminha para se tornar o próximo grande guru do mundo dos negócios. Já fiz referencia ao livro aqui e aqui, mas as principais ideias do livro ainda não foram apresentadas. Pink apresenta uma […]


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