Marretadas no caos

Lembre da época que você frequentava fliperamas. Mesmo que tenham sido poucas vezes. Que máquina você usava mais? Divertido, não? Tenho certeza que você se lembra de uma máquina da qual saiam jacarés, hipopótamos, ou algum outro bicho e o jogo era acerta-los com um porrete. Joguei poucas vezes, mas em todas colocava tanta força na máquina que quase dava pena. Mas só quase…

MarretadaPois bem. Tenho visto que em algumas organizações esse jogo continua a existir. De uma forma menos física, mas existe. E funciona assim: quem “apagar mais incêndios” ganha uma promoção. A lógica do jogo é que as organizações têm problemas (os pobre coitados que sofrem as marretadas) e quem resolver o maior número deles é o melhor e merece subir na carreira. Certo? Penso que não.

O problema com esse tipo de lógica é que ele depende da existência de problemas e estimula a contenção de efeitos e consequencias, não de suas causas e origens. Dentro desse jogo, prioriza-se o curto prazo e não a sustentabilidade dos resultados. Existe dependência pela existência de problemas para que as pessoas possam se destacar. Como diria o personagem Littlefinger (“Mindinho”) do livro de George R. R. Martin Game of Thrones (O Jogo dos Tronos), “o caos é uma escada”. E aí mantem-se o caos.

Artigo semelhante foi escrito pelo presidente do Lean Institute do Brasil. A cultura de “heróis” nas empresas Brasileiras prejudica o desenvolvimento de pessoas – e a consequente evolução da empresa e o desenvolvimento de inovações.

A valorização do curto prazo estimula colaboradores a dedicarem tempo para analisar e desenvolver melhorias que resolvam mais efeitos em menos tempo, o que não promove um salto de qualidade ou competitividade. Ao invés de desaparecer o problema, nos tornamos mais produtivos (através de investimento de tempo e dinheiro) em fazer algo que nem deveria ser necessário fazer.

Isso ocorre porque todos querem crescer na carreira e proporcionar melhores condições às suas famílias. Não podemos culpar as pessoas da organização por seguir essa lógica quando seus líderes promovem e reconhecem os “bombeiros”. Na analogia com a máquina de fliperama, se a regra do jogo é dar mais martelada, quem é que vai desenvolver uma forma de prender os bichos dentro da máquina? É muito mais provável que apareçam martelos “duplos”, em vez de alguém ter a brilhante ideia de tirar a máquina da tomada.

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E na sua realidade, como é a situação que você vive no trabalho? Quem são os responsáveis por essa mudança cultural? E o que você acha que pode fazer para mudar acelerar essa transformação?

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Uma resposta to “Marretadas no caos”

  1. Montanhas não vão até Maomé | innovation tool Says:

    […] é longo e requer paciência e disciplina. Mas só assim pode-se reverter um ciclo vicioso de incêndios e marretadas e alcançar um resultado sustentável de produção, mas também em segurança, motivação e […]


E você? O que pensa a respeito?

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