Além da ponta do iceberg

Por Ramiro Furquim/Sul21O momento do Brasil inspira poesias, sonhos e utopias. Fala-se de que estamos a fazer história. O movimento que se iniciou contra o aumento da passagem de ônibus e a favor do passe livre para estudantes inflamou o país e toma conta das ruas de capitais por todo o país. Que orgulho da juventude Brasileira! Que orgulho de ser Brasileiro! E – pasmem -, como bem disse Rafinha Bastos, bem em meio a uma competição internacional de futebol no Brasil!

Os estudantes contagiaram o país e, se não fosse por eles, eu mesmo não estaria escrevendo sobre isso. Andava desiludido há anos, especialmente após minha passagem pelo movimento estudantil. Interesses de partidos políticos manipulavam as ações e interesses das entidades e o meu repúdio à forma de fazer política no Brasil me levaram a deixar o movimento.

Apesar de alguns propagarem o medo desse tipo de influência no atual movimento, acredito que não seja o caso. Um movimento político e não partidário. Um movimento pacífico que uma minoria tão retrógrada quanto a política Brasileira insiste em manchar com cenas de vandalismo. Não se deixe levar: o movimento é legítimo e em prol de um país melhor.

Agora, o que fará esse país melhor? Vejo nas redes sociais alguns se inflamarem ao postar “fora Dilma”, “fora corruPTos”. Será que é esse o problema? Sinceramente acredito que não. Já passamos por isso com sucesso, devemos lembrar. O impeachment do Collor derrubou um presidente corrupto. Todos tivemos a sensação de dever cumprido. E relaxamos. E o que mudou? Será que no curso da história os 20 anos de PSDB e PT que separam aquela vitória deste levante pode ser chamado de mudança no sistema político Brasileiro? Penso que não. E não estou sozinho.

Explico. Existe uma premissa dentro do sistema de gestão com que trabalho que diz: “sistemas ruins ganham de pessoas boas”. Se a derrocada do Collor tivesse provocado uma mudança no sistema que produz e multiplica corruptos, não teríamos a sequência de eventos que levaram ao atual basta que se propaga na internet e nas ruas. O grito de “não à corrupção”, volto a dizer, é louvável e admirável! Continuemos a ir às ruas! Mas precisamos ir além da ponta do iceberg e entender as causas que proliferam as doenças políticas do país.

Eu não sou especialista em política. Mas acredito fielmente que, da mesma forma que foi possível mobilizar as pessoas para ir às ruas, precisamos também mobilizar um diálogo construtivo de soluções sustentáveis que bloqueiem as causas sistêmicas. Só assim vamos conseguir aproveitar a energia e indignação da juventude para construir um futuro mais justo. Um futuro que de fato seja digno das poesias, sonhos, utopias e história que estão sendo feitos hoje, em meio a um torneio internacional de futebol.

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Uma resposta to “Além da ponta do iceberg”

  1. Astrid Jayanti Says:

    Se eu gostei? Muito!!! E bora pra rua amanhã!!!! “O impeachment do Collor derrubou um presidente corrupto. Todos tivemos a sensação de dever cumprido. E relaxamos. E o que mudou?”


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